
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
Fernando Pessoa
Eis um poema que pretendo usar profissionalmente. Acredito que aguardar o cumprimento de um prognóstico fechado possa produzir aprendizado, seja para o doente, seja para quem o acompanha. A reflexão sobre a morte iminente, o repensar a vida, a revalorização das idéias, a reorganização dos valores, o analisar o passado e o elaborar o futuro do pretérito são processos de tamanha preciosidade dentro da existência do ser humano perante o fim que julgo necessário imortalizá-los. Não só pelos frutos que eles nos trariam mas também pelas pessoas que os sofreram. Como? Ora, só há um meio de imortalizarmos nossa passagem nessa vida: palavras escritas! Entregarei um poema, o Mar Salgado por exemplo, para cada pessoa que estiver passando pelas diferentes fases do adoecer e pedirei que reflitam e escrevam sobre o significado que o texto adquire no naquele momento da vida do doente, segundo os processos biopsicosociais (sim, eu confesso, estou me entregando ao termo mestre da Medicina Preventiva!) que envolvem todo o fenômeno. Tenho certeza que daria para montar um livro de verdades sinceras, significações universais, lições profundas, semânticas inovadoras, enfim, talvez um resumo da existência, simples e bela. Caros leitores, ajudem-me com o nome do livro...

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